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Como tudo começou....
Situada
ao Sul de Minas, próxima a estâncias hidro-minerais (Caxambu, São
Lourenço, etc), no sopé da serra do Turvo, a 905 m de altitude, a bela
e simpática cidade de Andrelândia destaca-se pelo seu clima de
montanha e por um povo laborioso, gentil e hospitaleiro. Limita-se
com São Vicente de Minas, Madre de Deus de Minas, Piedade do Rio Grande,
Santana do Garambéu, Lima Duarte, Bom Jardim de Minas, Arantina,
Liberdade, Seritinga e Serranos.
A
colonização da região foi conseqüência da exploração de ouro.
As descobertas das minas de ouro na região de Airuoca e São João del-Rei,
foram de fundamental importância para o posterior surgimento do então
arraial do Turvo. Sendo que as terras minerais eram muito
disputadas, muitos dos aventureiros recém chegado se dirigiam à procura
do ouro em locais mais afastados dos tradicionais centros mineradores, e
aí, exauridos os veios ou malograda a empresa, os homens se fixavam à
terra, cuidando das plantações e da pecuária.
Foi exatamente assim o
início do povoamento da atual Cidade de Andrelândia.
Próximo à Serra dos Dois
Irmãos, na divisa com o atual município de Madre de Deus de Minas,
instalou-se em princípios do século XVIII o Sargento-Mór Lourenço Correa
Sardinha, nascido em 1685, um dos mais antigos habitantes da região,
proveniente da Ilha da Madeira.
Por volta de 1740, o afluxo
populacional em nossa região aumentou consideravelmente. Muitos
eram os que demarcavam uma extensão de terra devolutas e se fixavam,
cuidando mais tarde da legalização da posse através da concessão de
carta de sesmaria, que era dada pelo Governador da Capitania.
De "Paragem Turvo Grande e
Pequeno" à "Cidade de Andrelândia"
No ano de 1749, quando a
região do Turvo já se encontrava intensamente povoada, com numerosos
fazendeiros estabelecidos, surgiu a idéia de se construir uma capela.
Até então, para receberem os sacramentos da Igreja, aqueles pioneiros
tinham que percorrer uma grande distância, por caminhos péssimos, até a
capela de mais fácil acesso que era a de São Miguel de Cajurú, filial da
Matriz de Nossa Senhora do Pilar da Vila de São João del-Rei. É de
se imaginar o quanto era difícil vencer tal distância naqueles tempos,
ora carregando nos braços um recém-nascido a ser batizado; ora
carregando na padiola um cadáver a ser encomendado e condignamente
sepultado.
O pedido de autorização para
construção da capela foi feito por André da Silveira dirigido ao
primeiro bispo de Mariana..
No mesmo ano era conhecido o despacho:
que o vigário de Airuoca informasse se o sítio estava de acordo
com as constituições, e determinava ainda que se juntasse a escritura
de doação do patrimônio. Em
1751, chegou a Mariana a informação favorável do vigário, Pe.
Francisco de Cerqueira Campos. Afinal,
com data de 4 de janeiro de 1752, Dom Frei Manoel da Cruz assinou a
provisão, pela qual atendia o pedido de “André da Silveira e mais moradores da paragem chamada Turvo Grande e Pequeno”,
concedendo licença para que “possam erigir a capela de Nossa Senhora
do Porto na Paragem chamada Turvo”.
Para patrimônio da capela foi feita doação de terreno por Manoel Caetano da Costa
e sua mulher, dona Inácia de Jesus.
E, a 22 de junho de 1755, o Pe. Francisco de Cerqueira Campos
benzeu a capela “que achou com decência e com os ornamentos das
quatro cores e tudo o mais preciso para se celebrar o santo sacrifício
da missa”. Por resolução
régia de 27 de setembro de 1758, foi a capela elevada a curato, filial
da matriz de Airuoca.
Ao
redor da capela, formou-se lentamente o povoado que foi crescendo e, por
decreto da Regência, de 14 de julho de 1832, foi elevado a freguesia.
Este decreto da Regência elevou 27 curatos de Minas à categoria
de paróquias; e Turvo
figura justamente em 17º lugar no referido ato.
O primeiro vigário encomendado foi Pe. Francisco José de Souza
Monteiro, que tomou posse a 8 de junho de 1834.
Em
1827, já estava o arraial em condições de ser elevado a paróquia;
é o que declararam Antônio
Francisco de Azevedo, Bonifácio Antônio de Azevedo, cap. Ildefonso José
Pereira e “mais povos habitantes do arraial do Turvo, freguesia de
Airuoca”, acrescentando que “no sobredito lugar existe uma capela de
N. Sra do Parto com muita eficiência de poder servir de freguesia” e
já contava quatro mil almas (Livro de Provisões, Ordens Régias...
Arquivo Eclesiástico de Mariana).
Aliás, mais ou menos nessa época, ali esteve o Bispo Dom Frei
José da Santíssima Trindade, que registrou:
Capela de “N. Sra. da Conceição do Porto da Salvação... com
3.000 almas aplicadas... é toda de pedra, com bom adro fechado, entre o
rio Turvo Pequena (a pequena distância) e o rio Turvo Grande”.
E acrescentou: “muito
capaz para uma nova freguesia” (Livro de Visitas Pastorais de Dom Frei
José da Santíssima Trindade, Arquivo Ecl. de Mariana).
A
nova freguesia passou a atrair elementos de fora e, entre esses, um de
excepcional valor: Antonio
Belfort de Arantes. Fixou-se
ele no Turno, em 1834; mas
tanto se dedicou ao desenvolvimento do lugar, que pode ser considerado
com justiça seu verdadeiro fundador.
Colocou-se sempre a frente de todos os melhoramentos e um exemplo
apenas mostra sua dedicação a terra.
Em
1864, foi a freguesia elevada à categoria de vila, pela Lei nº 1.191,
de 27 de julho; mas, de
acordo com a legislação em vigor, só poderia o novo município ser
instalado se o povo construísse, a sua custa, o prédio da cadeia e câmara.
A subscrição popular atingiu a 13 contos de réis;
mas a construção totalizou despesa superior a 40 contos de réis, importância realmente avultada para a época.
Pois bem, não houve dificuldades, pois Antônio Belfort de
Arantes e seu filho, Antônio Belfort Ribeiro de Arantes (mais tarde,
Barão de Arantes), completaram a quantia necessária.
Foram, de fato, pai e filho, grandes benfeitores do lugar.
O
município, com a denominação de Vila Bela do Turvo, foi solenemente
instalado a 21 de outubro de 1866.
A lei provincial nº 1.518, de 28 de julho de 1868,
elevou Vila Bela do Turvo à categoria de cidade, com a denominação de
Turvo. Finalmente, a lei
estadual nº 1.1160, de 19 de setembro de 1930, deu-lhe a atual denominação
de Andrelândia.
A
cidade tornou-se, na época, ponto de abastecimento (antigo Caminho do Comércio)
dos viajantes que iam e vinham sentido Diamantina (MG) ou sentido
inverso para Parati (RJ). Este caminho é hoje conhecido por
"Estrada Real",
que são os caminhos oficiais, cujos traçados remontam ao século
XVIII, e suas variantes, que interligam os centros mineradores das Minas
Gerais ao Estado do Rio de Janeiro ou ao Estado de São Paulo.
Os
vestígios remanescentes destes "Velhos Caminhos",
juntamente com os artefatos, as ruínas e a paisagem constituem
testemunhos importantes da história de Minas Gerais.
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